Setembro Amarelo pós-pandemia e campanhas pela saúde mental

Setembro Amarelo pós-pandemia e campanhas pela saúde mental

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 720 milhões de pessoas no Brasil enfrentam algum problema de saúde mental, colocando o país no topo do ranking de ansiedade e depressão na América Latina.

E embora a OMS tenha declarado o fim da emergência de saúde por conta da pandemia por Covid-19, as consequências ficaram e são gigantescas com as quase 700 mil vidas perdidas somente no Brasil. Com isso, são muitas as pessoas enlutadas, as que sofrem sequelas da doença, as que tiveram sua saúde mental afetada.

Por isso, falamos em saúde mental antes e depois da pandemia. Assim como diversas campanhas de conscientização pela saúde mental ficaram em evidência após a pandemia, como é o caso do Setembro Amarelo – campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

O suicídio sempre foi um tabu nas conversas. Mas o assunto não pode ser ignorado. Um estudo nos EUA com 40 mil participantes infectados por SARS-CoV-2 mostrou que cerca de 22% dos pacientes apresentam comorbidades neuropsiquiátricas, incluindo ideação suicida.

Ansiedade e depressão são alguns dos fatores mais relevantes para levar os indivíduos até a decisão por tirar a própria vida.

Ansiedade é um estado emocional inerente ao ser humano e pode ser entendida como uma reação normal ao estresse – pois bem, com a pandemia os níveis de estresse aumentaram significativamente nas pessoas.

Todos sentimos ansiedade em situações diversas, por exemplo, a expectativa de algo que possa vir a dar errado. Imagina a expectativa de algum familiar pegar Covid e vir a falecer.

A ansiedade é definida como um estado subjetivo de tensão difusa, que pode ser acompanhado por alterações físicas, como: aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, temores, sudorese, tudo pela expectativa de perigo.

Já a depressão é uma doença que afeta o emocional da pessoa, que passa a apresentar tristeza profunda, falta de apetite, desânimo, pessimismo, baixa autoestima, e tudo isso aparece com frequência e pode combinar-se entre si. Na pandemia o emocional dos indivíduos foi fortemente afetado.

Assim, faz-se cada vez mais necessárias campanhas em prol da saúde mental. É de extrema relevância que as pessoas se sintam à vontade para falar sobre como se sentem, que saibam os caminhos para procurar ajuda profissional, que tenham atendimento de qualidade em saúde mental na rede pública de saúde, que as famílias sejam amparadas, que os amigos saibam como apoiar a pessoa com depressão, ou seja, é uma rede grande de envolvidos e todos precisam estar bem conectados, do contrário, sem o devido apoio a pessoa pode, sim, chegar até o suicídio.

As campanhas realmente ajudam?

A saúde mental é uma parte essencial e muitas vezes negligenciada do bem-estar humano. Assim como cuidamos do nosso corpo, é igualmente importante cuidar da nossa mente. No entanto, por muito tempo, o estigma associado às questões de saúde mental impediu que muitas pessoas buscassem ajuda e apoio quando necessário. É aqui que entram as campanhas de conscientização, desempenhando um papel crucial na mudança dessa narrativa e oferecendo suporte àqueles que precisam.

O Setembro Amarelo tem por objetivo promover a compreensão da importância da saúde mental e da prevenção ao suicídio. O uso da cor amarela simboliza a esperança e a luz que podem guiar aqueles que enfrentam momentos de escuridão.

Muitas pessoas sofrem em silêncio devido ao estigma associado à saúde mental. As campanhas de conscientização ajudam a normalizar as conversas sobre esse assunto, mostrando que é perfeitamente aceitável procurar ajuda quando necessário. A conscientização sobre os sinais de alerta e as medidas preventivas do suicídio pode salvar vidas. O Setembro Amarelo fornece informações e recursos para identificar e apoiar aqueles que estão em risco.

Campanhas como essa criam um senso de comunidade e solidariedade. Aqueles que enfrentam desafios mentais podem encontrar conforto ao saber que não estão sozinhos e que há apoio disponível.

Muitas vezes, as pessoas não buscam ajuda devido ao medo do julgamento ou da incompreensão. Campanhas de conscientização incentivam as pessoas a procurarem ajuda profissional quando necessário, criando um ambiente de aceitação.

Em suma, as campanhas de conscientização sobre saúde mental, como o Setembro Amarelo, desempenham um papel vital na mudança de atitudes e no fornecimento de recursos para aqueles que enfrentam desafios emocionais e mentais. Ao educar e oferecer apoio, essas campanhas contribuem para a construção de uma sociedade mais informada e solidária em relação à saúde mental e à prevenção do suicídio.

Fonte:

Dra. Elaine Di Sarno. Psicóloga e Neuropsicóloga pela USP.

Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental e em avaliação neuropsicológica pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Psicóloga
pesquisadora do Programa de Esquizofrenia – PROJESQ do Instituto de Psiquiatria do
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Atendimentos individuais e familiares na abordagem cognitivo comportamental. 
Instagram: @elainedisarno
Site: elainedisarno.com.br