Principais erros cometidos quando se expõe ao sol

Principais erros cometidos quando se expõe ao sol

Saiba a maneira certa de proteger a sua pele para evitar danos como manchas e envelhecimento precoce

Ultimamente muitas pessoas estão preocupadas em incrementar a rotina skincare – ou até em criar uma. Mas nem pense em seguir uma moda, ou antes mesmo de se preocupar com uma rotina que contenha ácidos e antioxidantes, devemos ter o hábito do uso regular do filtro solar. “Ele é o creme antienvelhecimento mais importante, pois preserva as estruturas da pele por meio da proteção contra os danos cumulativos da radiação ultravioleta”, explica o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica Gru Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “O sol pode acelerar o envelhecimento precoce, causar manchas, rugas, flacidez e até doenças sérias como câncer. Por isso, as orientações dermatológicas de uso constante do fotoprotetor fazem tanto sentido. Mas também é necessário evitar erros que geralmente são cometidos por falta de atenção ou informação, pois eles podem comprometer a eficácia da fotoproteção”, acrescenta o Dr. Daniel. Abaixo, o médico explica os 10 principais erros na hora de escolher e aplicar um fotoprotetor e de se expor ao sol:

Fotoprotetor não adequado ao seu fototipo.

Segundo o Dr. Daniel, dependendo do tom da pele, a proteção deve ser maior ou menor, mas ela sempre deve existir. No geral, o ideal é se orientar pela seguinte classificação: “Pessoas de fototipo 1 (Pele clara + sardas) ou Fototipo 2 (Pele clara + cabelo loiro) precisam de uma megaproteção (FPS 50+). No caso de fototipo 3 (Pele clara + cabelos castanho) ou fototipo 4 (Pele morena + cabelos castanhos), é indicada uma superproteção (FPS 30 ou 50). Por fim, fototipo 5 (Pele morena mais escura) ou Fototipo 6 (Pele negra) precisam de uma proteção eficiente (FPS 30)”, explica o médico.

Não reaplicar o fotoprotetor.
Para manter sua eficácia, o filtro solar deve ser aplicado sempre 30 minutos antes da exposição solar, de forma homogênea e em quantidade abundante. Quanto mais você aplicar, maior será a proteção. “Mas não para por aí. A cada duas horas, ou após mergulho ou suor intenso, você deve reaplicar o produto para garantir que sua pele não sofra com os danos da radiação”, afirma o médico.

O tom da pele de uma pessoa depende de seus genes e da exposição a fatores não genéticos, como hormônios ou exposição ao sol.

Passar só no rosto e negligenciar o corpo.
Os efeitos dos raios ultravioletas são os mesmos em todas as partes do corpo, mesmo que elas estejam cobertas pelas roupas – quando essas não oferecem proteção UV. “Na rotina diária, é importante lembrar de usar a proteção solar também nas áreas do corpo que ficam permanentemente em exposição, como braços, colo e pernas. Não é somente nas praias e piscinas que há risco de excesso de exposição. Por isso, assim como no rosto, deve-se utilizar o produto diariamente, a cada duas horas. Uma dica é utilizar o protetor solar em creme, mas ele não substitui o hidratante, por isso, passe um hidratante na pele 15 minutos antes de aplicar o protetor”, diz o dermatologista.

Passar maquiagem com FPS na praia.
Alguns estudos dão conta de que o grande problema de maquiagens com FPS é a quantidade que se aplica, fazendo com que esse produto não seja muito prático. “Para garantir a fotoproteção do rótulo, é necessário aplicar uma quantidade absurda de maquiagem. Além disso, nem sempre os produtos multifuncionais contam com proteção UVA. Então fique atento a isso: se o produto é um protetor solar, a legislação brasileira exige que a sua proteção UVA seja de 1/3 do FPS (que protege contra o UVB)”, diz o Dr. Daniel.

Negligenciar áreas “escondidas” ou periféricas.
Se na hora de aplicar o protetor solar, você esquece das costas, axilas, pescoço, orelhas, nuca, cotovelos e pés, a fotoproteção não está totalmente adequada. “O fotoprotetor deve ser utilizado em todas as áreas do corpo. É muito comum as pessoas, sobretudo quando expostas diretamente aos raios ultravioletas à beira da praia ou piscina, se esquecerem de passar o produto em regiões não habituais. Por sua vez, essas áreas estão em contato direto com a água e areia. Há um risco muito alto de manchas, lembrando que áreas como axilas já sofrem na depilação por conta da inflamação e são susceptíveis a manchas”, afirma o médico.

Os tons da pele das pessoas são agrupadas em fototipos, descritos por Fitzpatrick.

Não passar protetor quando está nublado.
Aprenda uma vez por todas a regra básica do uso do fotoprotetor: se é dia e há claridade, o uso do fotoprotetor é imprescindível. “O protetor solar deve ser utilizado todos os dias, em qualquer época do ano, inclusive em dias nublados, pois existe radiação UV mesmo com nuvens ou no inverno. Portanto, mesmo com céu escuro e sem sol, corremos o risco de entrar em contato com a radiação UV, que é invisível, fria e indolor nesse caso. E para quem mora ou vai viajar em lugares mais altos, quanto maior a altitude, maior a exposição e os riscos mesmo em céu cheio de nuvens”, afirma.

Não passar protetor porque está embaixo do guarda-sol.
Um estudo já demonstrou que o guarda-sol comum que vemos em praias (sem proteção UV) oferece, no máximo, FPS 7, o que deixa a pele susceptível aos danos solares. “Dessa forma, o fotoprotetor deve ser utilizado mesmo na sombra proporcionada pelo guarda-sol. Além disso, na praia temos um agravante, já que a areia pode ajudar a refletir os raios ultravioletas. O guarda-sol protege da claridade do sol e não dos raios ultravioleta. Da mesma forma, dentro do carro, a janela não protege a penetração dos raios para a pele. Portanto, a proteção solar deve ser diária e ter mais atenção ainda quando estamos diretamente expostos”, diz.

Não proteger o couro cabeludo.
É um erro muito comum, segundo o Dr. Daniel. “O couro cabeludo deve ser protegido diariamente. Uma dica é utilizar modelos de chapéus ou bonés que tenham proteção UV. Mas também vale a pena investir em produtos capilares com filtro solar, como os xampus, condicionadores e leave-ins, facilmente encontrados no mercado.”

Usar o mesmo produto no rosto e no corpo.
“Os protetores de rosto são mais leves, menos gordurosos, para não causar acne, por exemplo. Eles também são mais transparentes e podem ser encontrados no tom mais adequado para cada pele. Então, o que muda é a textura para não obstruir os poros e causar espinhas”, diz o médico. “Apesar disso, existem no mercado embalagens maiores que são bons protetores para face e corpo em um só produto. Mas fique de olho nos protetores em spray, que devem ser passados em duas camadas pois conferem menos proteção”, afirma.

Usar o mesmo protetor solar por alguns verões.
Se você fizer tudo certinho, você jamais terá esse problema – o protetor se usado na quantidade correta acabará antes da próxima temporada de calor. “Quando o assunto é proteção solar, a data de validade é fundamental. Os ativos contidos deterioram-se com o tempo e a proteção pode ser afetada. Além disso, uma embalagem que já foi aberta há muito tempo pode estar contaminada por germes e bactérias. Cuidado também no armazenamento, pois o calor excessivo pode dificultar a eficácia”, finaliza o médico.

Fonte:
Dr. Daniel Cassiano. Dermatologista. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde,
o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutor em Medicina Translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.